Qualidade do Ar Interior

QAI

Qualidade do Ar Interior

Na sociedade atual as pessoas passam substancialmente mais tempo em ambientes interiores face aos exteriores. A Direção-Geral da Saúde refere que grande parte da população passa 80-90% do seu tempo no interior dos edifícios.

Devido ao aumento do tempo de permanência em ambientes interiores, a sua qualidade torna-se uma temática consideravelmente relevante. Os trabalhadores que ocupam grande parte ou a totalidade do seu período laboral em ambientes interiores encontram-se expostos a inúmeros riscos que podem afetar a saúde. A avaliação da Qualidade do Ar Interior (QAI) torna-se fundamental para garantir a saúde dos trabalhadores.

Enquadramento Legal

A temática da qualidade da atmosfera/local de trabalho é referida em vários diplomas legais:

Enquadramento Legal QAIMais especificamente a QAI é referida nos seguintes diplomas:

Diplomas Legais QAI

O Decreto-Lei n.º 118/2013 refere vários requisitos, estes definidos na Portaria 353-A/2013, que os edifícios de comércio e serviço devem cumprir:

  • Edifícios novos de Comércio e Serviços (artigo 40º do Decreto-Lei n.º 118/2013)
    • “(…) ser garantido o cumprimento dos valores mínimos de caudal de ar novo determinados (…)”
    • “(…) dotados de sistemas de climatização ou apenas ventilação, deve ser garantido o cumprimento dos requisitos previstos (…)”
    • “(…) após a obtenção da licença de utilização, ficam sujeitos ao cumprimento dos limiares de proteção e condições de referência dos poluentes (…)”
  • Edifícios sujeitos a grande intervenção (artigo 44º do Decreto-Lei n.º 128/2013)
    • “(…) deve ser assegurado, nos espaços a intervencionar, o cumprimento dos requisitos previsto no artigo 40º para edifícios novos (…)
  • Edifícios de Comércio e Serviços já existentes (artigo 48º do Decreto-Lei n.º 118/2013)
    • “(…) ficam sujeitos ao cumprimento dos limiares de proteção e condições de referência dos poluentes constantes (…)

Qualidade do Ar Interior

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos refere que a Qualidade do Ar Interior é referente à qualidade do ar dentro e em redor aos edifícios e estruturas, especialmente no que se refere ao conforto e saúde dos ocupantes.

A avaliação da qualidade do ar interior é fundamental de modo a garantir a saúde dos trabalhadores. Os locais de trabalho a que os trabalhadores se encontram expostos têm de se encontrar salubres de forma a garantir a sua saúde, desempenho e diminuição do absentismo. Não contendo contaminantes em concentrações elevados, de modo a prejudicar a saúde. O ar interior deve ser avaliado periodicamente de modo a garantir estas condições.

Existem diversos contaminantes associados à QAI, sendo de diversas naturezas como:

  • Agentes Químicos;
  • Agentes Físicos;
  • Agentes Biológicos.

Referente à QAI, a humidade e ventilação deficiente podem levar a um excesso de humidade, podendo provocar, em qualquer tipo de material, o crescimento de microrganismos, tais como, fungos e bactérias responsáveis. Esta ocorrência também pode levar a um aumento de compostos orgânicos voláteis (COVs) no meio ambiente. A ventilação adequada é um fator fundamental para o controlo da humidade e a prevenção da contaminação do ar ambiente.

Fatores que afetam a Qualidade do Ar Interior

Existem vários fatores que são suscetíveis de afetar a QAI:

Fatores que afetam a Qualidade do Ar Interior

Efeitos da Qualidade do Ar Interior

No âmbito da Qualidade do Ar Interior podem surgir 2 situações que dependem dos sintomas dos ocupantes. O Síndrome do “Edifício Doente” (SED) e Doenças Relacionadas com o Edifício (DRE).

  • Síndrome do Edifício Doente
    • Sintomas relacionados pelos ocupantes com a permanência do edifício;
    • Não é possível identificar as causas dos sintomas;
    • Sintomas desaparecem quando os ocupantes abandonam o edifício.
  • Doença Relacionada com o Edifício
    • Possível identificar as causas dos sintomas apresentados, relacionado com a concentração dos poluentes;
    • Sintomas demoram a desaparecer após os ocupantes abandonarem o edifício.

 

Os efeitos na saúde dos ocupantes presentes num ambiente com uma Qualidade do Ar Interior inadequada são variados e dependem do agente em questão, de uma forma geral pode levar a:

Efeitos na Saúde QAI

 

Parâmetros e Locais Avaliados

Existem vários parâmetros na QAI que são passíveis de ser avaliados:

  • Partículas em suspensão (fração PM10)
  • Partículas em suspensão (fração PM2.5)
  • Compostos Orgânicos Voláteis Totais (COVs)
  • Monóxido de carbono (CO)
  • Formaldeído (CH2O)
  • Dióxido de carbono (CO2)
  • Radão
  • Velocidade do ar
  • Bactérias
  • Fungos
  • Legionella spp
  • Temperatura
  • Humidade relativa
  • Caudais de ar novo

Vários locais podem ser avaliados como:

  • Espaços industriais (indústria automóvel, indústria da madeira)
  • Escritórios
  • Edifícios de comércio e serviços

As indústrias são locais de trabalho que, comparativamente, por exemplo, com os escritórios, ocorre um maior risco de exposição a agentes químicos para os trabalhadores. Sendo um local relevante na temática da QAI e tendo a sua própria legislação.

Fases da Avaliação da Qualidade do Ar Interior

A avaliação da QAI tem de ser realizada de modo a respeitar as normas EN ISO 16000, tendo em conta o parâmetro a ser avaliado.

A Avaliação incide nas seguintes fases:

Fases da Avaliação da Qualidade do Ar Interior

Uma Avaliação da Qualidade do Ar Interior permite

  • Caracterizar a qualidade do ar interior
    • Identificar os poluentes existentes e a sua concentração
    • Determinar o caudal de ar novo existente
  • Garantir a saúde dos ocupantes
    • Aplicação de soluções/medidas de prevenção/proteção e controlo
  • Garantir o cumprimento com o estipulado na legislação
    • Cumprimento do valor de caudal de ar novo
    • Cumprimento dos limiares de proteção e condições de referência dos poluentes

 

Avaliação do Ar Laboral

 

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