“A água é essencial à vida. A quantidade de água doce na terra é limitada e a sua qualidade está sob pressão constante. Preservar a qualidade da água doce é importante para o abastecimento de água potável, produção de alimentos e uso recreativo da água” (WHO, 2019). Por isso, a água e os ecossistemas aquáticos devem ser alvo de monitorização contínua no que diz respeito à sua qualidade física, química e biológica.

A monitorização da qualidade da água constitui-se como o primeiro elemento de medida do controlo do estado dos sistemas hídricos, da eficácia das medidas de planeamento e da eficiência das medidas de gestão.

Enquadramento Legal

A Diretiva Quadro da Água (Diretiva 2000/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2000) é o principal instrumento da Política da União Europeia relativa à água, estabelecendo um quadro de ação comunitária para a proteção das águas de superfície interiores, das águas de transição, das águas costeiras e das águas subterrâneas. Foi transposta para o direito nacional através da Lei n.º 58/2005, de 29 de dezembro, alterada e republicada pelo Decreto-Lei n.º 130/2012, de 22 de junho. A Diretiva Quadro da Água tem como objetivo prevenir, conservar e melhorar o ambiente aquático no espaço da União Europeia.

No âmbito nacional, a legislação aplicável à monitorização da qualidade da água é essencialmente constituída pelo Decreto-Lei n.º 236/98, de 1 de agosto, o qual estabelece normas, critérios e objetivos de qualidade com a finalidade de proteger o meio aquático e melhorar a qualidade das águas tendo em conta os seus principais usos, nomeadamente águas doces superficiais e subterrâneas destinadas à produção de água para consumo humano, águas doces superficiais para fins aquícolas – águas piscícolas, águas balneares e águas de rega.

Qualidade da Água

O conceito de qualidade da água é relativo, uma vez que depende do uso a que se destina ou do objetivo do seu utilizador. Assim, a qualidade da água pode ser definida como o conjunto de características físicas, químicas e biológicas adequadas à sua utilização para determinado uso. Para cada uso da água é necessário estabelecer as exigências relativas à sua qualidade, ou seja, definir parâmetros de qualidade e estabelecer os seus valores-limite.

Parâmetros de Qualidade da Água

Para se proceder à classificação da qualidade da água, é necessário realizar, previamente, a escolha de indicadores representativos da qualidade da água e posteriormente proceder à seleção de parâmetros representativos desses indicadores.

Estes parâmetros devem ser facilmente mensuráveis em diferentes programas de monitorização, e aceites como sendo bons indicadores da qualidade da água. Do mesmo modo, estes indicadores devem caracterizar o estado da qualidade da água e os principais tipos de poluição de um determinado sistema em estudo.

Objetivos ambientais de qualidade mínima para as águas superficiais

No Anexo XXI do Decreto-Lei n.º 236/98, de 1 de agosto, são apresentados os Valores Máximos Admissíveis (VMA) relativos aos objetivos ambientais de qualidade mínima relativamente às águas superficiais para cada um dos parâmetros relevante às mesmas e no Anexo III encontram-se estabelecidos os métodos analíticos de referência para águas superficiais. Na tabela seguinte estão sistematizados ambos estes Anexos.

Tabela 1 – Objectivos ambientais de qualidade mínima para as águas superficiais e respetivos métodos analíticos de referência.

Parâmetro Unidades VMA Método analítico de referência Local da análise
pH Escala de Sorensen 5,0 – 9,0 Eletrometria (a 25ºC). In situ
Temperatura ºC 30 Termometria. In situ
Variação da temperatura ºC 3
Oxigénio dissolvido % de saturação 50 Método de Winkler. Ex situ
Método eletroquímico. In situ
CBO5 O2 mg/L 5 Determinação de O2 dissolvido antes e após cinco dias de incubação a 20ºC ± 1ºC ao abrigo da luz, com adição de um inibidor da nitrificação. Ex situ
Azoto amoniacal N mg/L 1 Espectrometria de absorção molecular. Ex situ
Fósforo total P mg/L 1 *
Cloretos Cl mg/L 250 Titulação (método de Mohr).

Espectrometria de absorção molecular.

Ex situ
Sulfatos SO4 mg/L 250 Análise gravimétrica.

Complexometria com EDTA.

Espectrometria de absorção molecular.

Ex situ
Clorofenóis μg/L, por composto 100 *
Hidrocarbonetos policíclicos nucleares μg/L,  100 Medição da fluorescência por ultravioleta após cromatografia em camada fina.

Medição comparativa em relação a uma mistura de controlo constituída por seis substâncias padrão com a mesma concentração.

Ex situ
Substâncias tensoactivas aniónicas mg/L 0,5 *
P

E

S

T

I

C

I

D

A

S

Total μg/L 2,5 Cromatografia em fase gasosa ou líquida após extração por solventes adequados e purificação.

Identificação dos constituintes da mistura.

Determinação quantitativa.

Ex situ
Por substância individualizada μg/L 0,5
Bifenilospoliclorados (PCB) μg/L 20 *
Azoto Kjeldhal N mg/L 2 Mineralização, destilação segundo o método

 Kjeldahl e determinação do amónio por espectrometria de absorção molecular ou titulação.

Ex situ
Cianetos totais CN mg/L 0,05 Espectrometria de absorção molecular. Ex situ
Arsénio total As mg/L 0,1 Espectrometria atómica.  Ex situ
Espectrometria de absorção molecular. Ex situ
Cádmio total Cd mg/L 0,01 Espectrometria atómica.

Polarografia.

Ex situ
Chumbo total Pb mg/L 0,05 Espectrometria atómica.

Polarografia.

Ex situ
Crómio total Cr mg/L 0,05 Espectrometria atómica.

Espectrometria de absorção molecular.

Ex situ
Cobre total Cu mg/L 0,1 Espectrometria atómica. Ex situ
Espectrometria de absorção molecular. Ex situ
Mercúrio total Hg mg/L 0,001 Espectrometria atómica sem chama (vaporização

a frio).

Ex situ
Níquel total Ni mg/L 0,05 Espectrometria atómica. Ex situ
Zinco total Zn mg/L 0,5 Espectrometria atómica. Ex situ
Espectrometria de absorção molecular. Ex situ

*Não se encontra legislado nenhum método analítico de referência para este parâmetro relativo às águas superficiais.

Figura 1 – Recolha de amostras

A APO Partner dispõe de serviços de análises e ensaios ambientais, incluindo a monitorização da qualidade da água.